9 de nov de 2016

Conheça o vírus mayaro: a nova ameaça do mosquito Aedes aegypti

Depois da dengue, do zika vírus e do chikungunya, uma possível nova epidemia já preocupa cientistas


Extraído do 180graus 


Depois da dengue, do zika vírus e do chikungunya, uma possível nova epidemia já preocupa cientistas e epidemiologistas de todo o mundo: trata-se do vírus mayaro.
Foto: Reprodução
Após a descoberta de um caso de febre hemorrágica em um menino de oito anos na zona rural do Haiti, pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, anunciaram ter encontrado no país caribenho um caso inédito da doença – cujas características são muito similares as da chikungunya.
Ainda que o vírus não seja totalmente desconhecido – foi detectado pela primeira vez em 1954, em Trinidad e Tobago –, até agora só se sabia de surtos isolados na selva amazônica e em outras partes da América do Sul, como Brasil e Venezuela. Acredita-se que o grande problema seja pelo fato de que este vírus possivelmente tenha se adaptado. Antes era transmitido apenas por mosquitos vetores silvestres e agora, aparentemente, pode ser transmitido por mosquitos vetores urbanos que já estão espalhados pelo mundo, como o Aedes aegypti, principalmente, e o Aedes albopictus. Se isso se confirmar, há muitas razões para a preocupação, uma vez que o Aedes está fortemente presente em todo o território brasileiro.
Especialistas alertam que este caso pode ser um indício de que o vírus esteja se espalhando e já começa a circular pela região do Caribe. “Os sintomas são muito similares aos da chikungunya. Por isso, quando o paciente vai ao médico, pensam se tratar dessa doença e não sabem que é Mayaro”, disse John Lednicky, líder da equipe da universidade americana responsável pelo estudo.
Lednicky explicou não haver nenhum sintoma que distingue a chikungunya da febre mayaro: ambas provocam erupções na pele, febre e dores nas articulações. Nos dois casos, os efeitos são mais prolongados do que em paciente com dengue e zika – chegando a durar de seis meses a um ano. “O que está acontecendo é que estamos nos deparando com pacientes que se queixam de erupções na pele e dores musculares prolongadas, mas os exames dão negativo para zika e chikungunya. Então, o que afinal eles têm?”, disse Lednicky.
A criança haitiana, cuja amostra de sangue deu positiva para o vírus mayaro, apresentava febre e dores abdominais, mas não erupções nem conjuntivite, sintomas normalmente associados à chikungunya, e o fator preocupante é que o vírus detectado no Haiti é geneticamente diferente dos que haviam sido descritos previamente. “Não sabemos se é um vírus novo ou uma nova cepa de diferentes tipos de mayaro”, esclareceu o cientista.
Lednicky explicou que é “difícil avaliar o quão grave é o surto de mayaro neste momento”, já que existem poucos estudos sobre o vírus. “No Brasil, há dois tipos genéticos diferentes, e não sabemos qual é o mais virulento. Faltam mais estudos e monitoramento das áreas afetadas.” ressaltou. Um problema é a falta de recursos para fazer essas pesquisas, segundo o médico americano.
Ele ainda acrescentou não saber o que vai acontecer no Haiti após a passagem pelo país do furacão Matthew, que poderia ter levado os mosquitos transmissores da doença até a República Dominicana e outras ilhas caribenhas. Muitos pacientes no Caribe e na América do Sul podem estar sendo diagnosticados erroneamente com chikungunya.
Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde detalhou em seu site informações sobre a febre do mayaro. Trata-se de uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus que pode causar uma doença de curso benigno semelhante a dengue. Normalmente, após uma ou duas semanas, o paciente se recupera completamente. Entretanto, parte dos pacientes pode apresentar queixa de artralgia intensa, acompanhada ou não de edema nas articulações. A lesão pode ser limitante ou incapacitante e durar por meses, quando a recuperação é mais prolongada.
O vírus
O vírus mayaro, de acordo com o site do Ministério da Saúde, é considerado endêmico na região Amazônica, que envolve os estados da região Norte e Centro Oeste. O vírus ocorre em área de mata, rural ou silvestre e geralmente afeta indivíduos que adentram espaços onde macacos e vetores silvestres circulam. Considerado que o horário de maior atividade do principal vetor (Haemagogus Jantinomys) se dá entre 9 e 16 horas, recomenda-se evitar exposição em áreas de mata sobretudo desprotegido, durante esse período. Uso de roupas cumpridas e uso de repelentes podem ajudar para evitar o contato com o vetor silvestre e diminuir o risco de infecção. Cuidado especial deve ser observado em áreas recentemente afetadas do estado de Goiás, Tocantins e Pará, onde contaminação em humanos foram confirmadas em meados de 2014-2015.
Vacinação:
Não há existe uma vacina disponível atualmente. Estudos para desenvolvimento de vacina têm sido realizados, no entanto ainda é um desafio, pois seria necessária uma vacina de baixo custo, uma vez que a maioria dos surtos ocorre em países em desenvolvimento.
(Com informações da VEJA.com)

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