10 de jul de 2016

Estudante pisoteada em assalto fala do ‘pânico de andar de ônibus em São Luís’

Blog do Minard 

Milhares de usuários do transporte coletivo da capital maranhense parecem viver nos últimos meses numa gangorra. O medo de ser assaltado dentro dos ônibus que circulam pela Região Metropolitana de São Luís é a sensação de quem depende única e exclusivamente do transporte público para se deslocar de um bairro a outro e dos rodoviários que trabalham nos coletivos diariamente.
Amanda foi pisoteada ao tentar descer do ônibus durante um assalto e encontra-se internada com luxação no braço
Entre os mais diversos casos de roubos já registrados, nesta sexta-feira (8) mais um chamou atenção pela violência com que foi praticado. Era por volta das 21 h quando um ônibus que fazia linha São Raimundo/Bandeira Tribuzzi e trafegava pela Avenida Carlos Cunha no Jaracati foi assaltado.
“Quando o ônibus parou em um ponto, anunciaram o assalto. O cara pegou uma mulher de refém com uma faca, e disse pra ninguém correr, mas como a porta estava aberta todo mundo correu e ele acabou ferindo a mulher”,relatou ao Blog , com exclusividade, uma estudante que estava dentro do coletivo e tentou correr para escapar da ação dos marginais.
Amanda Sousa está internada no Socorrão II
Amanda Sousa Filgueira, de 19 anos, foi uma das últimas a sair do ônibus e flutuou no meio da multidão na escada quando caiu e foi pisoteada. Ela teve uma grave luxação no braço e encontra-se internada no Hospital Municipal Dr. Clementino Moura, o Socorrão II, onde espera desde ontem por um cirurgia ortopédica.
Para piorar, por falta de leito, a paciente está no corredor do hospital, podendo até ser liberada caso não faça a cirurgia ainda hoje. Nesse caso, será mais uma na fila de espera.
“Amanda chorou a noite toda. A gente está num pânico que adoece entende? Eu tenho faltado aula demais por medo de ir de ônibus para a UFMA”, desabafa a irmã da jovem pisoteada, Fernanda Sousa Filgueira, de 22 anos, estudante de Oceanografia da Universidade Federal do Maranhão.
Amanda e Fernanda são naturais do Estado de Goiás e moram em São Luís por conta dos estudos. Mas o medo de continuar na capital tomou conta das irmãs que estão em pânico por saberem que podem passar novamente pela mesma situação pavorosa já que os assaltos a coletivos são cada vez mais constantes.
A sensação de insegurança do usuário do transporte público está causando um efeito devastador, principalmente entre estudantes. Na quarta-feira (6) um assalto a um ônibus da Taguatur que faz linha integrada Campus/UFMA por pouco não terminou em tragédia nas proximidades da Barragem do Bacanga. O coletivo estava lotado de estudantes e um dos três assaltantes que estava armado de facão chegou a dar panadas no motorista do veículo e cortou o braço dele. Por desespero, algumas pessoas se jogaram pela janela do coletivo. Foram momentos de terror até que os marginais deixaram o local depois de roubarem pertences dos passageiros.
Apesar da violência dos dois casos, nenhum repercutiu de forma impactante no intuito de que as autoridades competentes pudessem tomar providências urgentes para amenizar a falta de segurança e evitar riscos aos usuários do transporte público, principalmente aos universitários.
Os números apresentados esta semana pelo Sindicato dos Rodoviários do Maranhão relativos aos assaltos praticados somente no primeiro semestre deste ano são assustadores. De janeiro a junho foram contabilizados 307 assaltos nos coletivos que circulam pela grande São Luís. Claro que esse quantitativo pode ser ainda bem maior levando-se em conta que há casos que não são registrados B.O.
De acordo com as estatísticas apresentadas, 248 assaltos foram contabilizados em 2015 e em 2014, 265 ações criminosas do tipo registradas, dentro do mesmo período. Comparando-se com os seis primeiros meses de 2016, observa-se um aumento significativo da violência.
A sociedade civil merece uma resposta imediata dos órgãos de Segurança Pública que atuam no Estado. Aliás, a resposta parece ser tardia, uma vez que as vítimas da violência estão por toda parte e sentem-se acuadas diante da fragilidade de um sistema que não apresenta alternativa real de conter a criminalidade.
Enquanto isso salve-se quem puder…

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