8 de abr de 2016

2 "sem terras" morrem em confronto com a PM no Paraná

PM e MST confirmaram que dois integrantes do movimento morreram.
Confronto ocorreu nesta quinta (7), na área rural de Quedas do Iguaçu.


Do G1 PR

Um confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e policiais militares ambientais em um acampamento em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, deixou ao menos duas pessoas mortas. De acordo com a Polícia Militar (PM), seis pessoas ficaram feridas. O confronto aconteceu nesta quinta-feira (7).
Centro de Quedas do Iguaçu teve intensa movimentação policial (Foto: Arquivo Pessoal)
Inicialmente, o MST havia afirmado que 22 integrantes do movimento tinham sido atingidos por disparos de arma de fogo. Mas, depois, informou que aproximadamente seis sem-terra estavam feridos e que o número exato ainda não havia sido confirmado porque a polícia estava impedindo a aproximação de integrantes do MST no local.
Confronto entre MST e polícia deixa mortos e feridos em Quedas do Iguaçu (Foto: Arte / G1)
O acampamento fica localizado na área da Araupel. No local, há 2,5 mil famílias acampadas. São cerca de 7 mil pessoas ao todo.
Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), a equipe da ambiental estava com uma equipe da Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam) em uma área chamada Fazendinha verificando um foco de incêndio. Ao deslocar para o local, os policiais foram interceptados por mais de 20 integrantes do MST que reagiram a abordagem com disparos de arma de fogo, ainda conforme a Sesp.
"Os policiais se deslocaram até a área onde foi registrado o incêndio, pois houve um crime ambiental, e chegando lá [na área] a Polícia Ambiental e a Rotam foram recebidas em um bloqueio feito pelo MST, onde vieram elementos do movimento e começaram a efetuar disparos contra a equipe. De imediato, a equipe se protegeu", detalha o comandante do 5° Comando Regional de Cascavel, tenente-coronel Washington Lee Abe. 

Porém, de acordo com o movimento, a polícia não foi até o local para conter um incêndio e que o ocorrido foi uma emboscada. Segundo a MST, duas equipes da PM acompanhadas de seguranças da empresa Araupel atacaram o acampamento Dom Tomás Balduíno.

A Araupel é uma empresa de reflorestamento e beneficiamento de produtos de madeira que está estabelecida na região há 43 anos. Segundo a própria empresa, desde o início das invasões em Quedas do Iguaçu, a fábrica já perdeu dois terços de terras devido a questões agrárias. A Araupel informou que não vai se manifestar sobre o ocorrido nesta quinta porque o confronto foi entre a PM e o MST e que os funcionários da empresa não estão envolvidos.
Segundo a PM, uma espingarda e uma pistola foram apreendidas com os sem-terra. Ainda não há informações de policiais feridos.
A PM enviou equipes para o local para resgatar as vítimas e um helicóptero para remover os feridos. Além disso, policiais militares e civis foram para a região com o objetivo de reforçar a segurança, já que há uma briga judicial envolvendo o MST e a empresa Araupel.
A Polícia Civil já abriu um inquérito para apurar os fatos.
Invasão foi em 2014
Desde julho de 2014, quando a fazenda de reflorestamento foi invadida por centenas de famílias, o clima é tenso na região e a titularidade da área vem sendo disputada na Justiça. “Em março, a empresa teve duas vitórias no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRT4), o que alterou os ânimos do MST", avalia a empresa. "Há mais de um ano a Araupel tem a seu favor um mandado de reintegração de posse e aguarda o cumprimento por parte do governo do estado". Neste período, a Araupel calcula perdas de mais de R$ 35 milhões com as invasões.

De acordo com o MST, o acampamento localizado em uma área pertencente a empresa Araupel tem 2.500 famílias, com cerca de sete mil pessoas. "Os sem-terra do local sofrem com constantes ameaças por parte de seguranças e pistoleiros da empresa, ameaças essas que contam com a conivência do governo e da Secretária de Segurança Pública do Estado", diz um trecho do comunicado do movimento.
Mudas destruídas
Em março deste ano, um grupo de integrantes do MST invadiu um viveiro e destruiu cerca de 1,2 milhão de mudas de pinos que estavam sendo preparadas para o plantio em uma área de reflorestamento da Araupel. De acordo com empresa, causou um prejuízo de R$ 5 milhões.

Segundo a Araupel, mais de 1,2 milhão de mudas de pinos para reflorestamento foram destruídas durante a ação do MST (Foto: Araupel / Divulgação)Segundo a Araupel, mais de 1,2 milhão de mudas de pinos para reflorestamento foram destruídas durante a ação do MST em março deste ano (Foto: Araupel / Divulgação)

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