12 de ago de 2015

Transexual 'crucificada' na Parada Gay diz em vídeo ter sido agredida

Viviany Beleboni mostrou seu olho inchado, rosto e braços cortados.
Ela afirmou que não registrou boletim para 'não ser tratada como homem'.


Do G1 São Paulo

A atriz Viviany Beleboni, que é transexual e se crucificou durante a 19ª Parada Gay, afirmou, em vídeo postado em sua página no Facebook, que foi agredida na noite de sábado (8) perto da sua casa no Centro de São Paulo. Ela afirma que não registrou boletim de ocorrência porque não gostaria de ser "tratada como homem" pela polícia.
Na montagem Viviany na parada gay e em vídeo, relatando agressão 
No vídeo, ela conta chorando que foi agredida por uma pessoa que "fala ser de Deus". "Estou com meu olho inchado, meu rosto cortado, meu nariz está inchado". Ao G1, Viviany disse que foi a primeira vez que foi agredida fisicamente depois da Parada Gay.
"Se era isso que vocês inimigos queriam, vocês conseguiram". Segundo Viviany, as pessoas que a agrediram disseram que ela não era de "Deus", que era "um demônio" e que "teria que pagar".
"Sorte é que eu tenho 1,80 metros e que eu sou homem o suficiente e consegui apartar isso. Ele saiu correndo. Mas olha o que aconteceu comigo. Estou toda ensanguentada. Com cicatriz no meu corpo, no meu rosto", disse aos prantos.
"Agora, as pessoas perguntam : 'ah, vai fazer um bo.'. Vai na delegacia. Pra quê? Pra te tratarem que nem um homem lá. Pra te chamar que nem um homem lá, rir na sua cara e não dar em porra [sic] nenhuma? Eu não vou, não vou.", completou.
Viviany diz que vai ficar trancada em sua casa.
"Porque é isso que esses religiosos e fanáticos querem. Que eu fique trancada dentro de casa. Estou cansada de ser ameaçada tanto por travesti, quanto por ET., como por qualquer tipo de pessoa. O meu ato foi de amor, pra alertar sobre pessoas que nem eu que estão sangrando", finaliza o vídeo.
Processos
Viviany entrou na Justiça de São Paulo com processo contra o Facebook para obrigar a rede social a identificar usuários que, após o desfile, publicaram montagens de fotos dela em meio a imagens de sexo explicíto. Ela também abriu sete processos em que reivindica indenização por danos morais no valor total de R$ 800 mil.

Entre os alvos estão o senador Magno Malta (PR-ES), acusado por ela de ofender sua honra durante discurso, e o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), apontado por supostamente ter usado montagens de fotos do desfile com imagens de sexo explícito.

A advogada de Beleboni, Cristiane Leandro de Novais, diz que, por causa das imagens após a Parada, sua cliente tem sido reconhecida e sofrido agressões verbais ao frequentar lojas.

Em um dos processos, a transexual afirma que recebeu ameaças de morte por rede social e ligações, "já tendo sido inclusive agredida em frente à sua casa". "Ela está com síndrome do pânico, não sai mais de casa por causa disso", afirmou.

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