12 de ago de 2015

Pobre e faminto, Zimbábue quer saber por que um leão vale mais que humanos



O Zimbábue quer saber por que a morte de um leão comove tanto o mundo enquanto milhares de pessoas no país sequer têm o que comer. Esse é o sentimento do país após a enorme repercussão do assassinato do leão Cecil, caçado por um dentista norte-americano.


“Sim, é cruel. Mas não entendo essa história toda. Tem tantos problemas mais urgentes no Zimbábue, passamos por falta de água, não temos eletricidade, nem emprego… E as pessoas fazem esse barulho todo por um leão?”, desabafou uma moradora de Harare, capital local, ao site New Zimbabwe.

Alheio ao leão, o Zimbábue é um dos países mais pobres do mundo. Por lá, nada menos do que 72,3% da população vive abaixo da linha da pobreza, com expectativa de vida de apenas 52,7 anos. De acordo com moradores do país, Cecil tinha uma vida que pelo menos três quartos dos zimbabuanos nunca nem sonharão ter.

“Sinceramente, estou chocado com toda a atenção dada à morte do leão Cecil, enquanto meu país tem problemas bem mais graves e urgentes. Quando um leão é morto, o Zimbábue é manchete dos jornais do mundo inteiro. Um pouco de respeito, por favor. desde quando os leões se tornaram mais importantes que os seres humanos?”, questiona o radialista local Eric Knight.

Além da revolta por conta da atenção dada ao leão em detrimento aos problemas locais, causa incômodo na população o nome do animal. Cecil é associado ao colonizador britânico Cecil John Rhodes, magnata dos diamentes que fez fortuna explorando minas locais. Ainda é debatido o fato de, todos os anos, muitos zimbabuanos serem vítimas de ataques de animais silvestres sem que ninguém dê atenção.

Depois de toda a repercussão de Cecil, os moradores do Zimbábue clamam por atenção para seus maiores problemas e para o fato de ser, ali, um dos países mais pobres do mundo. O governo local, porém, não parece estar muito preocupado: atualmente se move diplomaticamente para julgar em seu território o caçador e faz da caça aos caçadores a prioridade nacional — independente fome, sede ou pobreza da população.

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