25 de ago de 2015

Marido ciumento decepa pés e mãos da esposa, no RS; 'Não deixava dar oi na rua', diz vítima

Gisele Santos, de 22 anos, foi atacada ao dizer que queria se separar. 
Caso ocorreu no dia 2 de agosto, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.



A jovem Gisele Santos, de 22 anos, que teve as mãos, o pé esquerdo e parte do direito decepados pelo companheiro, conta que o relacionamento sempre foi pautado pelo ciúme. Além das constantes brigas, o marido queria controlar seu comportamento. Ela e Élton Jones Luz de Freitas, 25 anos, estavam juntos há quase sete. O crime aconteceu no início deste mês.
Jovem teve mãos decepadas pelo companheiro (Foto: Diego Vara/Agência RBS)
“Antes de eu ficar com ele, eu tinha amigos da rua, amigos da escola. Eu parei a escola porque ele queria que não fosse mais. Facebook, ele mandou excluir, não falar mais. Não era pra dar 'oi' na rua”, afirmou Gisele em entrevista à RBS TV.
Os dois, porém, faziam planos. Há dois meses, haviam se mudado da casa da mãe dela para um apartamento em São Leopoldo, no Vale do Sinos do Rio Grande do Sul.
“Ele queria ter filhos, a gente fazia planos de ter a nossa casa, ter um carro. Por ele, a gente já teria filho antes. Mas eu falava que não. Enquanto eu não tivesse uma casa, um carro, um conforto para dar a um filho, eu não teria filho”.
Crime
O crime ocorreu em 2 de agosto, um domingo. Gisele conta que os dois tiveram uma discussão pela manhã, o que viria a causar a tragédia horas depois. Decidida a se separar, ela anunciou para o companheiro: “Ou você sai de casa, ou saio eu”. “Aí, ele começou a chorar e pedir perdão”.

Gisele estava há quase sete anos com companheiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Gisele estava há quase sete anos com
companheiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Sem aceitar a decisão da companheira, Élton Jones trancou a porta e colocou a chave dentro do bolso. Gisele lembra que, quando tentou ligar para a mãe pela primeira vez para pedir socorro, teve o celular arrancado das mãos pelo marido.
Ela tentou afastá-lo com um chute. Foi quando o homem pegou um facão em cima do armário para agredi-la.
O primeiro golpe foi na cabeça. Gisele conta, ao se ver sangrando, ficou supresa, porque não imaginava que o marido fosse capaz de uma agressão tão grave. Em seguida, vieram os demais golpes.
“Eu gritava que perdoava ele, para ver se ele parava. Mas ele continuou. Logo em seguida, tentei me fingir de morta. Só que ele me deu uma facada na barriga e eu gritei. Aí ele disse: ‘está viva ainda, desgraçada’", relata Gisele.
"Eu só gritava que Deus perdoasse ele pelo que estava fazendo”, afirmou a jovem. “Aí, ele botou uma jaqueta e saiu, me dizendo: ‘Estou indo dar um beijo na minha mãe, que eu sei que vou ser preso. E você está morta'”.
Socorro
Gisele ficou sozinha, gritando por socorro. Até que uma vizinha teve coragem de entrar no quarto. Naquela hora, a jovem diz que achava que iria morrer em poucos instantes. Pediu, então, para telefonar para a mãe para se despedir.

Gisele afirma que o socorro demorou, e o atendimento médico só chegou depois que a mãe dela, que se deslocou de Sapucaia do Sul para São Leopoldo, já estava no local.
A jovem ficou internada na UTI do Hospital Centenário por quatro dias, além de outros dois em um quarto da instituição. Passou por cirurgias para reimplante dos pés, e ainda é preciso esperar para ver se não haverá rejeição. Nas mãos, não foi possível fazer reimplante.
O homem se apresentou a uma delegacia no mesmo dia do crime. Ele está no Presídio Central de Porto Alegre. "O meu perdão ele tem. Depois, ele que se acerte com Deus. Só quero que fique longe de mim e da minha família", afirma Gisele.
Mãe busca ajuda
A família de Gisele conta com o apoio de amigos para lançar uma campanha para ajudar a jovem. Eles planejam um show para arrecadar fraldas e lenços umedecidos, já que ela não consegue ir ao banheiro. A rotina de recuperação não é fácil. Além disso, a mãe da jovem, Janete Silva, relata que eles precisaram mudar de cidade, com medo que Élton saia da prisão.

A busca por ajuda também é para arrecadar dinheiro. Segundo pesquisa, cada prótese para as mãos custa R$ 24 mil. Apesar das dificuldades, Janete diz que agradece por a filha ter sobrevivido.
“A gente faz o que pode para amenizar a dor. É uma menina nova que, agora, vai ter que sobreviver sem as mãos”, lamenta Janete. “Desespero foi quando eu cheguei lá e vi ela revirando os olhos e morrendo, sem pés, sem mãos, sangue para tudo quanto é lado. Era uma cena de terror, e eu não acreditava nesse pesadelo”.

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