20 de jul de 2015

'Que façam festa, a dor fica comigo', diz mãe de jovem morto no PI

Mãe de Gleison gravou vídeo em Castelo do Piauí falando da morte do filho.
Com medo de represálias da população, ela pede segurança para a família.


Do G1 PI

Elizabeth Vieira, mãe de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, espancado até a morte 
"Que façam festa e comemorem, porque a dor fica comigo mesmo", disse Elizabeth Vieira, mãe de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, sobre a comemoração em Castelo do Piauípela morte de seu filho, assassinado nesta quinta-feira (16). (assista ao vídeo acima)
Ele e os três suspeitos de cometerem o homicídio estavam internados no Centro de Educação Masculino (CEM), em Teresina, desde o último dia 15. Os quatro foram sentenciados pelo espancamento e estupro de quatro garotas em Castelo do Piauí, crime ocorrido em maio.
No vídeo, a mãe de Gleison pede ainda segurança para a família, que gostaria de sepultar o corpo do adolescente em Castelo do Piauí, mas teme a reação dos moradores da cidade, que comemoraram o assassinato com foguetes e festa.
"Estou com medo da revolta da população, de eles fazerem alguma coisa. Eles podiam deixar pelo menos eu velar e enterrar o corpo do meu filho. Já mataram ele, acabou", disse.
Confissão
A direção do centro afirmou que os três jovens admitiram que mataram Gleison e não demonstraram remorso ou arrependimento ao relatar detalhes do homicídio.

Segundo Herberth Neves, gerente de internação do CEM, a morte de Gleison ocorreu durante o banho, quando um dos jovens teria aplicado uma gravata, fato que deu início as agressões. Já o juiz o Antonio Lopes, da 2ª Vara da Infância e Juventude em Teresina, afirmou que provavemente a vítima tenha sido atacada enquanto dormia.
A Globonews procurou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que realiza multirões e fiscaliza a condição de presídios e unidades socioeducativas no país, para falar da morte do adolescente. (Veja no vídeo)
O CNJ disse que não vai se manifestar especificamente sobre a morte de Gleison, mas encaminhou os relatórios das últimas visitas feitas à unidade.
O mais recente, de 2012, mostra que o CEM de Teresina funcionava de forma adaptada no prédio de uma antiga escola, que a estrutura física não era adequada e que havia deficiência nas atividades educacionais oferecidas aos adolescentes.
Gerente de internação do CEM falou sobre depoimento de menores (Foto: Catarina Costa/G1 PI)Herberth Neves, do CEM, disse que Gleison foi morto
no banho (Foto: Catarina Costa/G1 PI)
Liberação do corpo
A assistente social Thyciane Calvacante Chaves, esteve no Instituto Médico Legal (IML) nesta sexta-feira (17) como representante da família do adolescente etentou pedir a liberação do corpo do jovem para o velório em Castelo do Piauí.

Segundo ela, a Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Sasc) comprometeu-se em custear as despesas com velório e enterro.
O gerente de internação do Centro Educacional Masculino (CEM), Herbert Neves, contou que a prioridade é levar o corpo do menor com segurança até Castelo.
"Queremos fazer isto antes do anoitecer, pois não sabemos os riscos que corremos na entrega do corpo. Já fomos avisados que os moradores de lá estão agitados com a morte", afirmou Neves.
Ainda nesta sexta-feira (17) o juiz Antonio Lopes, da 2ª Vara da Infância e Juventude em Teresina, que sentenciou os jovens a três anos de internação para cada crime cometido, comentou que o Centro Educacional onde o garoto estava internado poderia ter sido palco de uma chacina.
Segundo o magistrado, os adolescentes vinham sendo ameaçados de morte pelos demais jovens da unidade.
Juiz Antônio Lopes fala sobre crime dentro do CEM em Teresina (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
As agressões contra o menor
Com base no depoimento dos adolescentes, o juiz Antonio Lopes deu detalhes sobre a dinâmica do assassinato de Gleison. Ele contou que o garoto estaria dormindo no início das agressões.

"Primeiro, eles deram o que chamaram de 'voadora', e quando a vítima caiu, foi dominada. E daí as agressões começaram com socos e pontapés. Eles chegaram a bater a cabeça dele contra uma estrutura de cimento", disse o juiz.
 
Um policial militar que estava de plantão na noite de quinta-feira disse que no momento da confusão entre os adolescentes havia quatro educadores e sete PMs no CEM.
"Quando ouvimos os gritos corremos para a cela e conseguimos retirar o rapaz com vida, mas não resistiu", disse o policial.

O corpo do menor foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), e a Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Sasc) aguarda a família para providenciar o velório.

Os três adolescentes suspeitos do homicídio foram retirados do CEM e permanecem agora em salas separadas no Complexo de Defesa e Cidadania. Um inquérito será aberto pela Delegacia do Menor Infrator para apurar o crime.

Casa de Detenção Provisória de Altos foi inaugurada nesta segunda-feira (11) (Foto: Gilcilene Araújo/G1)Adão se envolveu em uma briga com presos em
penitenciária (Foto: Gilcilene Araújo/G1)
Briga na prisão
Nessa quinta-feira (16), o adulto que é acusado de ser o mentor do estupro coletivo se envolveu em uma briga dentro da penitenciária onde está preso e acabou sendo agredido por outros dententos. Adão José de Sousa, 40 anos, teve escoriações.

No mesmo dia, ele foi encaminhado de volta à Casa de Detenção Provisória de Altos, a 20 km de Teresina.

Entenda o caso
No dia 27 de maio, quatro adolescentes foram brutalmente agredidas, estupradas e depois jogadas do alto de um penhasco em Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina.

Uma das jovens morreu após 10 dias internada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). As outras três também ficaram hospitalizadas e já receberam alta.
Os quatro adolescentes foram apreendidos horas após a barbárie. Adão foi preso dois dias depois.

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